#URSAL: a criação de um território fictício através de bens de consumo online/offline.

Ana Carolina Almeida Souza

O que começou com um termo jocoso, introduzido pela Socióloga Maria Lúcia Victor Barbosa, em 2001, URSAL: União das Repúblicas Socialistas da América Latina se tornou um dos assuntos mais comentados das últimas eleições presidenciais.

Durante o primeiro debate presidencial, realizado pela TV Bandeirantes, o candidato Cabo Daciolo perguntou ao concorrente Ciro Gomes, sobre uma suposta conspiração organizada pela esquerda do país, em parceria com outros países da América Latina, em que estariam organizando um golpe para fundar uma nação socialista: URSAL. O candidato falou que esse seria um plano existente desde a presidência de Luís Inácio Lula da Silva e ainda reiterou que Ciro teria informações sobre isso.

Ciro Gomes se deteve a responder que não entendia do que Cabo Daciolo se referia e seguiu o debate na sua parte tratando sobre economia e quais medidas tomaria caso fosse eleito. De fato, no mesmo debate e nos seguintes a esse não houve mais menção direta ao termo, ou mesmo uma discussão sobre a URSAL, porém, a ideia de uma Nação em que estivessem juntos países como: Brasil, Uruguai, Chile e Argentina, não pareceu tão ruim para as redes sociais e para os seus memes, que logo trataram de colocar URSAL entre os tópicos mais tuitados naquela semana, além de ter gerado diversas conversações sobre as características dessa suposta nação.

Entre os diversos conteúdos produzidos nesse período, um nos chamou bastante atenção, que foi a criação de bens de consumo ligados à essa proposta de território, algo que foi se intensificando à ponto de extravasarem o ambiente dos memes online e ganharem espaço nas ruas, no carnaval e até darem nome à estabelecimentos comerciais.

Percebemos uma apropriação do termo por entusiastas da esquerda brasileira, a ponto de criarem uma espécie de território utópico, onde a seleção de futebol seria formada por Neymar, Suárez e Messi; o Papa seria Ursal; Mujica seria o presidente e num mesmo país teríamos praia e neve. Logo vieram os produtos derivados desse ideário, como camisas do time de futebol, passaportes, bottons, bandeira, bares e até hino.

Principalmente após a vitória do candidato Jair Bolsonaro, URSAL acha lugar entre aqueles que não se sentem representados pelo governo atual, bem como entre aqueles que realmente acreditam que ela não é apenas uma teoria da conspiração. De qualquer modo, é inevitável ponderar que, configurada num imaginário de que essa nação poderia existir (nem que seja na imaginação daqueles que criam memes), ela certamente promove certo alívio cômico à atual situação do país.

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