#ÉPelaVidaDasMulheres

Luciana Andrade

Oito de março amanheceu com uma lista de hashtags em referência ao Dia Internacional das Mulheres nos trends do Twitter. O sistema de ranqueamento de tendências de conversação da plataforma conseguiu reunir e justapor, ao mesmo tempo, mensagens de celebração, campanhas publicitárias e pautas ativistas. Entre as hashtags que estiveram no topo, #8M2019 refere-se diretamente às lutas sociais, políticas e culturais enfrentadas pelas mulheres em todo o mundo. Nesse contexto, #ÉPelaVidaDasMulheres surgiu em encadeamento sígnico com outras hashtags de protesto, em referência ao movimento iniciado contra a candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência da República em 2018.

Encadeamento sígnico da hashtag #ÉPelaVidaDasMulheres
Rede gerada pelo site SocioViz às 17h de 08/03/2019.

Encontramos grupos de hashtags que formaram uma rede heterogênea em torno de #ÉPelaVidaDasMulheres, abarcando tópicos relacionados como #MariellePresente, #MulheresComLula e #NaoAReformaDaPrevidencia. Esse encadeamento é resultado da produção incessante de novos significados, pois compreendemos as hashtags como processos sígnicos que possuem função mediadora. Elas representam posicionamentos sociopolíticos afins em multiplataformas, criando uma conexão entre os debates de redes sociais online e os protestos de rua. No caso da hashtag em estudo, seu domínio simbólico, durante o contexto das eleições 2018, contribuiu para a ressignificação do Dia das Mulheres, em conexão com as pautas ativistas.

Encadeamento sígnico da hashtag #ÉPelaVidaDasMulheres
Rede gerada pelo site SocioViz às 11h30 de 29/09/2018.

No dia 29 de setembro de 2018, uma semana antes do primeiro turno das eleições, #ÉPelaVidaDasMulheres alcançou o topo dos trends do Twitter durante as mobilizações de rua convocadas pelas mulheres nas redes sociais online contra Bolsonaro. Durante sua campanha política, o então candidato fez declarações polêmicas sobre os direitos das mulheres, sendo nomeado como machista e sexista pelas ativistas. Em contrapartida, algumas mulheres criaram um grupo no Facebook para reunir apoio contra o atual presidente, propagando a hashtag #EleNão. O grupo chegou a receber mais de 2 milhões de inscrições e foi hackeado na tentativa de impedir seu crescimento. Como consequência, em associação sígnica com #EleNão, #ÉPelaVidaDasMulheres apareceu em várias plataformas midiáticas como símbolo de luta, influenciando a narrativa do #8M em 2019.

Deixe uma resposta